
Os segundos vão passando
com ganas de transformação
Nenhum dos dias pode ser igual
Não há um mero instante imortal
tudo se esvai
Tudo se prende e se afivela
nos ocultos cadafalsos do pensamento
que não nos poupam
sequer dos dias de chuva
dos olhos
Nesse relogio que gira,
a mecânica ignora
tantas revoltas, ou alegrias
nas reviravoltas que a vida dá
Num retrospecto, como de filme
pelicula antiga e rebobinada
acelerada, sem pausa
nem som, nem parada
Figura insone... num cinema mudo
que assiste a historia de sua vida
e enquanto dramatiza
o tempo segue a sua sucessão
Num passo temporal (onde o relógio)
percorre o espaço
de meia-vida
de elemento quimico
desgastado, consumido
pelo meio e pelas pontas
do ponteiro.
Agora grita, o despertador
em plena escuridão ( de meia madrugada)
começa o trabalho pra nascer (o sol)
que não vai esperar
E o tic-tac é como o poema
escrito a caneta ( assinado)
e entregue
ao seu destinatário...
Não se corrige, não se emeda
não se completa... nem nega autoria
Mas o sentido, qual folha ao vento
se entrega às mãos
de quem interpreta....
Lindíssimo, Yara!
ResponderExcluirA cada poma seu, sou aprendiz, e me surpreendo com o trancorrer do eu lírico que nele existe.
Destaquei esta parte:
Nenhum dos dias pode ser igual
Não há um mero instante imortal
tudo se esvai.
Porque é linda, e cabe a todos nós! A mim, de um modo especial.
Parabéns, querida!
Beijos
Mirse